Regra do conselho 9 min de leitura

Pode anunciar sendo médico? O que o CFM permite e o que te expõe

A Resolução CFM 2.336/2023 modernizou a publicidade médica e liberou muita coisa que antes era proibida. O guia direto do que dá, do que não dá e do que pode gerar processo, sem juridiquês.

Sim, médico pode fazer publicidade. A Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde março de 2024, modernizou as regras e passou a permitir coisas que antes eram proibidas: divulgar o valor da consulta, mostrar o consultório e os equipamentos, postar selfies, publicar antes e depois com caráter educativo e fazer publicidade nas redes sociais pra atrair pacientes. O que continua proibido é prometer resultado, garantir êxito e qualquer coisa que vire sensacionalismo ou propaganda enganosa. A linha é clara: informar e educar pode, prometer e enganar não.

Neste artigo
  1. Médico pode fazer publicidade?
  2. O que é obrigatório em todo anúncio?
  3. O que passou a ser permitido?
  4. O que continua proibido?
  5. Como anunciar sem se expor?
  6. O essencial em uma frase

Durante décadas, o médico brasileiro viveu com medo de divulgar o próprio trabalho. A regra antiga era restritiva, a interpretação era ainda mais, e na dúvida muitos médicos preferiam não anunciar nada a correr o risco de um processo ético. Isso mudou. A Resolução CFM 2.336/2023, que entrou em vigor em março de 2024, reescreveu a publicidade médica pra realidade das redes sociais e liberou muita coisa. Saber exatamente o que mudou é a diferença entre divulgar com segurança e continuar travado por um medo desatualizado.

Médico pode fazer publicidade?

Pode. A própria resolução parte do princípio de que o médico tem o direito de mostrar seu trabalho ao público, inclusive nas redes sociais, com o objetivo de formar, manter e ampliar sua base de pacientes. O que a norma faz não é proibir a divulgação, é definir os limites éticos dela. A resolução separa dois conceitos que antes andavam juntos. Publicidade é promover estruturas, serviços e qualificações do médico ou da clínica. Propaganda é divulgar assuntos e ações de interesse da medicina. As duas são permitidas, cada uma com suas regras, e ambas devem manter caráter informativo e educativo.

O que é obrigatório em todo anúncio?

Antes de falar do que pode e do que não pode no conteúdo, há uma base que toda peça precisa ter. Sem ela, o anúncio já é irregular:

  • Nome do médico.
  • Número de inscrição no CRM, acompanhado da palavra "Médico".
  • Especialidade ou área de atuação, quando registrada no CRM, seguida do número do RQE (Registro de Qualificação de Especialista). Em redes sociais, esses dados devem estar visíveis no perfil. É o mínimo de identificação que protege o paciente e o próprio médico.

O que passou a ser permitido?

Aqui está o coração da mudança. A resolução nova liberou uma série de práticas que antes geravam dúvida ou eram vedadas:

PráticaStatus na regra atual
Divulgar o valor da consultaPermitido (antes era vedado)
Mostrar o consultório, equipamentos e equipePermitido
Postar selfies (próprias ou com pacientes)Permitido, sem sensacionalismo
Antes e depois de procedimentosPermitido, com caráter educativo e ressalvas
Republicar elogios e depoimentos de pacientesPermitido, com limites
Anunciar descontos de campanhas promocionaisPermitido
Publicidade nas redes pra atrair pacientesPermitido
A lógica que liga tudo isso é o caráter educativo. O antes e depois, por exemplo, não é proibido, mas precisa vir com o contexto clínico: as indicações do procedimento e os fatores que podem influenciar negativamente o resultado. A imagem sozinha, vendida como promessa, é o que cruza a linha.

O que continua proibido?

A liberdade nova não é vale-tudo. Os limites são claros e existem pra proteger o paciente de promessa e engano:

PráticaStatus na regra atual
Prometer ou garantir resultadoProibido
Tom sensacionalista ou autopromoção exageradaProibido
Divulgar método não reconhecido pelo CFMProibido
Participar de publicidade de medicamento ou equipamentoProibido
Dar selo de qualidade a produtosProibido
Títulos como "melhor médico" ou "médico do ano"Proibido
Depoimentos de pacientes de forma reiterada e sistemáticaSujeito a apuração

Como anunciar sem se expor?

  1. Garanta a identificação obrigatória. Nome, CRM com a palavra Médico, e especialidade com RQE, visíveis em toda peça e no perfil.
  2. Mantenha o tom educativo. Conteúdo que informa e ensina sobre saúde, não que promete transformação. O paciente aprende, não é seduzido por promessa.
  3. Contextualize imagens. Antes e depois sempre com indicações e fatores que afetam o resultado. Nunca a imagem solta como garantia.
  4. Fuja de superlativos e promessas. Sem "melhor", sem "garantido", sem "único". São esses termos que viram processo.
  5. Na dúvida, confirme com seu CRM. A interpretação pode variar entre os conselhos regionais. Antes de uma campanha grande, vale checar com o CRM do seu estado.

O essencial em uma frase

Médico pode anunciar, e hoje pode muito mais do que a maioria pensa: valor da consulta, consultório, selfies, antes e depois educativo, redes sociais pra atrair paciente. O que não pode é prometer resultado e apelar pro sensacionalismo. Quem entende a regra atual sai do medo desatualizado e passa a divulgar com segurança, dentro da linha que separa informar de enganar.

Perguntas frequentes

Ainda em dúvida?

Médico pode divulgar o preço da consulta?
Sim. Essa foi uma das mudanças da Resolução CFM 2.336/2023: divulgar o valor da consulta, que antes era vedado, passou a ser permitido. Também é possível anunciar descontos e abatimentos de campanhas promocionais. O que não pode é transformar isso em sensacionalismo ou mercantilização.
Pode postar antes e depois de procedimento?
Pode, com regras. A imagem precisa ter caráter educativo e vir acompanhada de texto com as indicações terapêuticas e os fatores que podem influenciar negativamente o resultado. O que é proibido é o uso sensacionalista, que sugira resultado garantido ou estimule a busca puramente estética sem contexto clínico.
O que é obrigatório em todo anúncio médico?
Nome do médico, número de inscrição no CRM acompanhado da palavra Médico, e a especialidade ou área de atuação quando registrada, seguida do número do RQE. Sem esses dados, o anúncio já nasce irregular, por mais correto que seja o resto.
O que mais expõe o médico a processo?
Prometer ou garantir resultado, usar tom sensacionalista, participar de publicidade de medicamento ou equipamento, e divulgar depoimentos de pacientes de forma reiterada e sistemática. Esses são os pontos que mais geram apuração pelas comissões dos conselhos regionais.

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